Olhos de Turista

Porque você deve ter olhos de turista?

Olhos de turista! Essa frase me acompanha há muito tempo. Ouvi pela primeira vez quando era adolescente, minha mãe me chamou a atenção para algo e mencionou que eu tinha que ter olhos de turista para a vida.

Na época eu não entendi tão bem a ideia, mas me chamou muito atenção porque desde lá eu era uma apaixonada por viagens – do tipo frustrada porque eu nunca viajava – mas era. Não existia ainda esse lance de mochileiro, então para mim ter olhos de turista era um orgulho, eu queria ter. Mais tarde, passei a entender melhor e a tentar implementar esse estilo de ver o mundo em minha vida.

Mas afinal, o que significa olhos de turista?

Pense que o turista tem uma visão de algo que é novo para ele, uma descoberta. A percepção dele sobre o que ele está vendo é só dele, ele pode até ter sofrido influência de mídias e pessoas antes de visitar aquele local, porém, na hora que ele está lá, o que ele vê irá despertar alguma emoção nele que irá tornar a experiência única.
É como em um exemplo muito comum, muitos falam que Paris é uma cidade que cheira mal no verão e que os parisienses são mal educados. Mas é inevitável você pensar completamente diferente se assim como eu, você foi para Paris e a cidade não tinha cheiro algum e os parisienses foram gente boa com você.


Tirando foto na torre Eiffel em Paris

O ponto é que nada é melhor do que ver por conta própria, com olhos de turista, o olhar de alguém que está querendo conhecer e descobrir.
É algo novo, e quem não gosta de novidade? Esses olhos estão acompanhados de entusiasmo, surpresa e deslumbre. Com eles podemos admirar o nosso quintal, a próxima esquina, a árvore da frente de casa e o bocejo do nosso pet. Ou seja, as coisas simples da vida!
Porque a beleza está aí, em todo canto. O novo, o detalhe e o inusitado.
Larga o celular e vai ver!
Não só veja, respire! Sabe aquele cheirinho delicioso de terra molhada que quase ninguém nota?
Ouça! Já experimentou a maravilha de acordar com o som dos passarinhos ou fechar os olhos na praia ou na cachoeira e ouvir o barulho da água?
Toque! Nada como sentir a textura da areia da praia ou colocar a mão na terra e apertar os bloquinhos que formam por causa da chuva.
Ter olhos de turista é isso, não viver a vida como se ela fosse automática, passando pelos lugares como se não existisse nada de especial neles, é reparar em tudo com um novo olhar. São muitos os que não fazem isso no lugar de origem delas, mas deveriam, pois nos detalhes estão as maiores belezas.  

Já experimentou olhar o seu redor como se fosse a pela primeira vez?


Porque turista e não mochileiro?

 

Mulher mochileira

Hoje em dia quem viaja com uma mochila nas costas e com pouco dinheiro, não gosta do termo turista. Por isso, acaba rolando uma divisão de quem é turista e quem é mochileiro, os turistas têm grana e os mochileiros não. Simples assim.
Eu não compartilho dessa opinião, acredito que nem todo turista é mochileiro, mas todo mochileiro é um turista sim. Mas se formos diferenciar, é clara a divergência entre eles.
O mochileiro quer participar de tudo, quer se envolver com os moradores, quer conhecer os locais que não são turísticos. Porém, por se misturar tanto, pode acabar sendo influenciado pelo morador, baseando-se no que ele diz. É como se chegasse um turista em sua cidade e você só falasse mal ou bem dela, por conta das suas experiências ele não teria nem tempo de ter as próprias percepções, nem pelo bem e nem pelo mal.

Já o turista tradicional observa mais de fora, tende a se misturar menos porque geralmente está acompanhado com a família ou amigos, diferente do mochileiro que costuma ser solitário. O lance de observar e ter sua percepção sobre tudo é um exercício muito importante, é o que trás a criatividade e desperta a intuição.

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O Mochileiro está um pouco acostumado com a diversidade e ele geralmente conhece bastante lugares, viaja por períodos maiores e muitas vezes isso se torna um pouco rotina, uma rotina diferente, pois ele está “cada dia em um lugar novo”. Mas não deixa de ser um tipo de rotina, com muitas novidades, mas até novidades se tornam cotidianas.

Ok, então é melhor ser um turista ou um mochileiro?

Eu digo: junte o melhor de ambos!

Para explicar, vou citar alguns pontos sobre ambos.

O turista tradicional não viaja com a mesma frequência que o mochileiro. Então, quando ele chega no destino, ele fica extremamente entusiasmado. Repara tudo, presta atenção em tudo, quer fazer tudo.

Vantagens no turista:

– Se surpreende muito com a nova cultura. Ele não é muito acostumado a mudar de ambiente e quando muda, é um choque. A surpresa é grande, assim como o encantamento com a diferença;
– Fica admirado com monumentos espetaculares, ele já tinha visto por foto, mas não esperava que fosse tão grande, maravilhoso e impressionante;
– Ele está tão acostumado com a própria cidade, muitas vezes urbana, que quando tem contato com a natureza e vê uma paisagem bonita, perde o fôlego.
– Conhece o máximo possível da gastronomia e bebidas do local, sem se importar em gastar;
– Fica encantado com a aparência e sotaque dos moradores, brinca de identificar as características físicas e comportamentais em comum deles.

Já o mochileiro se aprofunda mais, conhece o ponto de vista de quem mora lá, vê melhor a realidade e não só o superficial que está facilmente à disposição dos turistas tradicionais.

Vantagens no mochileiro:

– Geralmente está sozinho e faz muito mais amizades, conhece tanto moradores como pessoas de todos os cantos;
– Acaba comendo comidas típicas feitas por moradores e não de restaurante turístico que muitas vezes não condizem com a real comida típica;
– Não faz questão de se hospedar em hotéis, geralmente se acomoda em hostels, campings ou couchsurfing, com mais oportunidades de conhecer pessoas e mais tempo para curtir a cidade, porque não se preocupa em usufruir do hotel;
– Viaja sem pressa. Geralmente o mochileiro, diferente do turista tradicional, não está viajando nas férias e vai ficar um período mais longo, por isso ele pode aproveitar mais, mudar o roteiro se quiser e até não ter um roteiro traçado. O mochileiro gosta de sair explorando, deixar rolar e não perde as oportunidades que vão surgindo no trajeto.

O mochileiro também fica admirado com as coisas e repara em tudo, mas ele já está um pouco acostumado em achar algo maravilhoso e sempre está em um lugar novo. O turista aguarda muito por aquele momento, e quando chega no destino é acompanhado de muita emoção por finalmente estar lá. Por isso olhos de turista, um olhar novo e cheio de expectativa para o mundo.
Ou seja, se você é mochileiro veja com os olhos de turista.

E se você é um turista tradicional, só viaja nas férias e ou nos feriados, procure desbravar no estilo mochileiro e com os olhos de turista.
De onde eu tirei tudo isso? Simples! Eu já fui turista e já fui mochileira. E agora eu sou ambos, tenho olhos de turista e alma de mochileira. E você, é um mochileiro com olhos de turista?
Se não, entra pro time de mochiristas! haha!

Vamos nos permitir ter alma de mochileiro e enxergar com olhos de turista.
Bora conhecer os pontos turísticos, subir na torre Eiffel, tirar foto empurrando a torre de pisa, passear de gôndola em Veneza e tomar uma cerveja no Temple Bar.

Turista tirando selfie

Mas bora também andar de metrô, fazer amizade com os moradores, comer uma comida típica feita por eles, se hospedar em hostels, couchsurfing, campings e conhecer gente nova.
Essa é a proposta do olhos de turista, ver a vida com mais entusiasmo. Lembre-se: ter olhos de turista é admirar tudo com um novo olhar. Então antes de sair por aí conhecendo o mundão, comece pelo quintal de casa. Dê valor para as pequenas coisas, admire os detalhes e belezas da vida. Para mim esse é o significado de viver cada dia como se fosse o último.

Faça o melhor com o que você tem e inspire-se para ir mais longe.

“Olhe em volta. Surpreenda-se!”

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