Cartão de embarque para Budapeste

O perrengue do milênio na hora do check-in

Parece que é de praxe meus mochilões começarem dando tudo errado. Como já contei nesse post aqui meu primeiro mochilão teve um início super maluco.

Daí, meu segundo mochilão ficou com invejinha do primeiro e resolveu caprichar no perrengue bug do milênio.

Eu e meu ex namorado voltaríamos para o Brasil de cruzeiro dia 24 de Novembro daquele ano, então decidimos fazer um mochilão de 1 mês pela europa antes.


Escolhemos como primeiro destino os países do leste europeu e para curtir o Halloween achamos que seria uma boa opção começar por Budapeste na Hungria. Acertamos todos os detalhes  mais ou menos 1 mês antes da viagem. Viajaríamos dia 30 de Outubro e já tínhamos comprado um convite para uma festa de halloween em um barco no Rio Danúbio.

Estávamos muito animados com a festa, dedicamos muito tempo com planejamento de toda a viagem. Mas sabe aquela história de duas cabeças pensam melhor do que uma? Então, com a gente não foi assim.

Eu sou meio tapada por natureza, aliás, a maioria dos meus perrengues acontecem por causa disso ou por abusar dos horários.

Os últimos dias em Dublin foram uma correria total, não deu tempo nem de fazer uma festa de despedida e nem de cair a ficha que eu iria embora daquela terra que tanto amo. Então, quando fomos para o aeroporto de Dublin apenas com nossas mochilas de mão porque já havíamos despachado o restante pro cruzeiro, eu não consegui nem me tocar que estava deixando a cidade amada em que vivi o melhor ano e meio da minha vida.

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Nós tentamos fazer o check-in online várias vezes no computador em casa e não estávamos conseguindo de jeito nenhum, aparecia uma mensagem dizendo que o check-in deveria ser feito apenas 3 horas antes do voo, mas já estávamos a 3 horas do voo e nada do check-in funcionar. Então resolvemos deixar para fazer no próprio balcão da companhia aérea, embora eu tenha tentado sem sucesso algumas vezes pelo celular no ônibus a caminho do aeroporto.

Chegando lá apresentamos o PDF do celular com o cartão de embarque para a atendente. Quando ela escaneou o cartão, ela disse que a gente tinha chegado com muita antecedência para o voo. Ficamos sem entender nada e informamos que o horário do voo era em 1 hora e meia. Então ela disse a bomba: “Mas vocês estão um mês adiantados”. WHAT???

Na hora pegamos o cartão de embarque e vimos o tamanho colossal da m**** que fizemos! Nessa de ficar na cabeça que viajaríamos o mês de novembro todo, esquecemos que os pobres dias 30 e 31 não eram parte de novembro e sim de outubro. Resultado: As passagens que compramos para Budapeste era pra fim de novembro e não de outubro! ¬¬

Sem dúvida esse foi o bug do milênio! Deu pane nas duas cabeças, conseguimos fazer a proeza de comprar a passagem para a data errada e nem se quer percebemos antes a cagada. Para piorar, por alguma razão, até minha mãe que estava no Brasil tinha recebido esses PDFs e não tinha notado.

Perguntamos para a atendente se teria como mudar a data do voo para aquele mesmo dia, ela disse que não, que apenas para o dia seguinte, mas caímos para trás com o preço que seria a alteração, 240 euros. OMG! Claro que tínhamos esse dinheiro, mas íamos usá-lo na nossa viagem, ele estava super contado.

Então saímos da fila e ficamos um tempo refletindo sobre como nós dois conseguimos ser tão tapados desse jeito e no que íamos fazer.

Alguns dias antes eu tinha visto uma matéria na internet sobre uma promoção de uma viagem de balsa de Dublin para alguma cidade da Inglaterra, a viagem só de ida sairia por apenas 5 euros. Na ocasião comentei sobre isso com meu ex e claro que ele lembrou disso em uma brilhante idéia de chegar em Budapeste indo de balsa até a Inglaterra e de lá achar um jeito de ir até o continente, provavelmente França, para depois ir de trem até Budapeste. Oi? Pois é, o pior que eu topei! Já sabia que era loucura e que mesmo que conseguíssemos chegar na Inglaterra por apenas 5 euros, o gasto com o resto da viagem seria tão alto quanto pagar o preço da alteração nas passagens.

Mas acho que minha ansiedade por aventura falou mais alto do que a razão e em poucos minutos estávamos pegando um ônibus às 9 horas da noite em direção ao porto de Dublin.

Para dar aquela apimentada na situação o ônibus não parou onde tem as balsas e a gente nunca tinha ido para lá e não fazíamos idéia de onde era. Então saímos por lá procurando alguma alma viva que nos informasse como fazia para chegar. Só que lá é uma área totalmente sem civilização, então estava difícil de achar alguém e para piorar nossas mochilas estavam extremamente pesadas, o que nos fez perceber que havíamos exagerado demais no peso. Eu não estava mais aguentando quando finalmente vimos um senhor e fomos até lá perguntar. Ele nos passou a direção mas nos alertou que aquela hora não devia mais sair nenhuma balsa. Nem preciso falar que nessa hora já começou a cair um pouco da minha ficha sobre a cagada que estávamos fazendo.

Chegando lá fomos direto no balcão e perguntamos qual era a cidade da Inglaterra que estava em promoção e qual seria o horário de saída dela. O atendente disse desconhecer a promoção por 5 euros mas nos informou que teria uma balsa saindo as 6 da manhã, o valor me recordo de ser por volta dos 40 euros. Nessa hora fiz algumas contas mentais e falei para o meu ex que eu achava que não valia a pena, pois duas passagens sairiam por 80 euros, o valor da alteração do voo era 240 euros. A diferença era de 160 euros, porém, eu sabia que os outros transportes que teríamos que pegar para chegar em Budapeste também eram caros. Então resolvemos pesquisar, o atendente foi super legal e nos ajudou na pesquisa já que era muito melhor procurar pelo computador dele do que pelo celular.

Eu não lembro bem os preços dessas pesquisas, mas lembro que sairia até mais caro do que pagaríamos pelas alterações das passagens, fora que levaríamos tanto tempo para chegar que perderíamos a festa de halloween. Então em nome da razão, cedemos à sanidade. haha!

Bom, agora era enfiar o rabinho entre as pernas, voltar para casa (que já não era nossa e teríamos que pedir para dormir na sala), alterar as passagens pela internet e pegar o voo para Budapeste no dia seguinte. Mas claro que nada é tão simples e não tinha mais ônibus para voltar para casa e tivemos que gastar dinheiro com táxi, justamente porque a intenção toda era economizar. haha!

Chegando em “casa” lembramos que já tínhamos entregado a chave para nossos flatmates e ninguém respondia no whatsapp e nem no facebook. Então começamos a gritar lá de baixo para abrirem. Quando finalmente meu flatmate respondeu, ele jogou a chave pela janela e quando entramos a cara dele não negava nem um pouco a surpresa de nos ver lá.

Apesar de frustrados e cansados, fomos dormir rindo e tirando sarro da nossa loucura.

No porto de Dublin tentando passar pelo perrengue do milênio
Eu no porto de Dublin decidindo o que fazer.

 

Tudo acabou bem
Depois do perrengue, curtindo a festa de Halloween em Budapeste.

 

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