Atrações com animais silvestres

Atrações com animais silvestres: descubra o que está por trás

Semana  passada eu participei do Word Travel Market Latin America, principal evento mundial do setor de viagens e turismos da América Latina. Fiquei especialmente encantada com as palestras de turismo responsável da WTM. Uma delas era sobre as atrações com animais silvestres, o que me inspirou a escrever sobre o assunto aqui.

Essa palestra em questão foi administrada pelo Roberto Vieto, gerente da Vida Silvestre para a América Latina da Word Animal Protection (Proteção Animal Mundial).

Esse é um tema extremamente importante, mas que é deixado sempre de lado. Na minha opinião está na hora de sermos mais ativos sobre as coisas que vêm acontecendo com os animais. Afinal, é como já disse Mahatma Gandhi: “A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados.”.

 

Até que ponto somos capazes de ultrapassar os limites da natureza pelo turismo?

 

Tem muita gente por aí que tem como sonho de consumo, tirar fotos com tigres, nadar com golfinhos e montar elefantes. O problema é que a maioria das pessoas não param para pensar o que está por trás dessas atrações com animais silvestres.

Posso inclusive me usar como exemplo em uma situação que me questionei só depois que já tinha participado desse tipo de abuso.

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Quando estive em Santorini, na Grécia, havia duas formas de subir o morro até o alto da Ilha: teleférico ou no lombo de um burro. Empolgada com a idéia de ter essa experiência, infelizmente escolhi subir com o burro. Ao longo do trajeto me senti muito mal quando ele queria parar pra comer, fazer necessidades e descansar, mas os funcionários não deixavam. Percebi também o absurdo e egoísmo que era ele ter que aguentar todo meu peso e me carregar morro acima. Fiquei bem chateada comigo depois daquilo.

O pior é que tem muita coisa semelhante e até pior pelo mundo. De acordo com a Unidade de Pesquisa e Conservação da Vida Silvestre (WildCRU) de Oxford existem 24 tipos diferentes tipos de atrações com animais silvestres ao redor do mundo.

 

A escravidão das Atrações com animais silvestres

 

É verdade que às vezes estamos tão cegos em querer ter experiências raras com animais, que não percebemos o abuso que está por trás. O problema é que a maioria não tem consciência da existência desses maus tratos. Mas a verdade é que precisamos criar o hábito de refletir sobre o que está sendo feito.

A conclusão da maioria das pessoas será uma só: não vale a pena se aproveitar de outra vida por puro entretenimento. Afinal, imagine a tristeza que é para esses animais serem arrancados do habitat natural, muitas vezes ainda jovens e sofrerem abusos físicos e psicológicos durante o treinamento. Tudo isso para ficarem submissos. Eles ainda passam a vida toda presos e servindo de atração só para que o turista tenha alguns minutos de “alegria”.

Outra informação importante é que o contato físico com o animal silvestre também gera estresse. Afinal, eles não são como os animais domésticos, não estão acostumados. Como explica o Word Animal Protection:

“Se é possível montar, abraçar ou tirar uma selfie com um animal silvestre, provavelmente este animal está sofrendo. Não frequente estas atrações”

Enquanto existir pessoas dispostas a participar dessas atrações com animais silvestres, esse tipo de turismo não irá acabar. De acordo com a WildCRU já são 550.000 animais silvestres sofrendo no mundo todo por causa das atrações turísticas irresponsáveis. Veja mais números números levantados pela WildCRU.

 

Dados sobre o turismo e atrações com animais silvestres pela WildCRU
Dados coletados pela Unidade de Pesquisa e Conservação da Vida Silvestre (WildCRU) de Oxford

 

As 10 mais cruéis atrações com animais silvestres (de acordo com a Word Animal Protection)

 

1 – Passeios em elefantes

 

Atração com elefante é um dos tipos mais crueis de atrações com animais silvestres
Foto retirada do site da World Animal Protection.

 

Treinamento: Elefantes ainda filhotes são levados de suas mães para facilitar a submissão. O processo de treinamento é chamado de “a quebra”. Geralmente eles são mantidos em uma jaula pequena ou presos com cordas ou correntes para que possam se mover apenas quando comandados. Para dominar o animal, são utilizados ganchos pontiagudos de metal ou ripas de madeira. O processo leva de alguns dias a uma semana.

Cativeiro: Os elefantes são impedidos de se relacionar entre eles, são mantidos acorrentados ou em um pequenos ambientes. Por serem animais perigosos, eles recebem pouco atendimento veterinário e sofrem bastante com doenças.

Reflexos psicológicos: O sofrimento com o treinamento pode causar até estresse pós-traumático.

 

2 – Fotos com tigres

 

Atrações com animais silvestres como tirar fotos com os tigres
Foto retirada do site da World Animal Protection.

Treinamento: Filhotes de leões são separados de suas mães nas primeiras semanas de vida. A limitação ao alimento é uma técnica utilizada para punir os tigres usados em apresentações quando eles cometem algum “erro”.

Cativeiro: São mantidos em pequenas jaulas com piso de concreto e com acesso limitado à água fresca. Os filhotes são expostos aos turistas para serem manuseados e abraçados por horas. Além de sofrerem estresse com superlotações e altos níveis de ruído.

Reflexos psicológicos: O estresse é tamanho que de acordo com a Word Animal Protection 12%, dos tigres observados apresentaram problemas comportamentais extremamente agressivos, como andar de um lado para o outro repetidamente ou morder a própria cauda. O que ocorre quando os animais não conseguem lidar com ambientes ou situações estressantes.

3 – Fotos com leões

 

Turista tirando foto com filho de leão
Foto retirada do site da World Animal Protection.

Captura: Com um mês de idade filhotes de leão são levados das mães.

Entretenimento: Quando ainda filhotes os leões vivem em cativeiros e os turistas mexem e tiram fotos com neles durante horas. Além de em alguns casos os turistas serem orientados a bater nos filhotes se eles forem agressivos. Quando os leões crescem e ficam grandes demais para serem segurados e abraçados, são usados para “passeios” com os turistas.

Reflexos psicológicos: Por não poderem ser soltos de volta na natureza, os leões estão condenados a viver para sempre em cativeiro, afetando profundamente o psicológico deles.

 

4 – Visitar parque de ursos

 

Urso em cativeiro
Foto retirada da internet.

Treinamento: Às vezes os ursos são treinados para realizar truques de circo como andar de bicicleta ou balançar em uma bola.

Cativeiro: Os ursos são mantidos em “poços” superlotados e como eles são solitários por natureza, isso acaba gerando lutas entre eles.

Reflexos psicológicos e físicos: O cativeiro e as lutas entre eles causam um estresse alto além de infecções bacterianas pelas lesões das brigas.

 

5 – Segurar tartarugas marinhas

 

Atrações com animais silvestres geram estresse em tartarugas
Foto retirada do site da World Animal Protection

Cativeiro: Atualmente só existe uma fazenda de tartarugas nas Ilhas Cayman. Lá os turistas podem segurar as tartarugas e até comê-las durante a visita.

Reflexos psicológicos e físicos: As tartarugas marinhas são naturalmente tímidas, então muitas vezes quando são manuseadas por turistas, elas entram em pânico e batem intensamente as nadadeiras, o que pode causar fraturas e muitas vezes o turista se assusta e deixa as deixa cairem acidentalmente no chão. Isso pode quebrar o casco delas e acabarem morrendo.  Além disso a tartaruga marinha sofre uma grande quantidade de estresse quando segurada. Enfraquecendo o seu sistema imunológico, ficando mais suscetível a doenças.

 

6 – Apresentação de golfinhos

 

Golfinhos são mantidos em cativeiro e servem para apresentações
Foto retirada do site da World Animal Protection.

 

Treinamento: Muitas vezes eles são vítimas de crueldade e abusos nos treinamentos das apresentações.

Cativeiro: Os golfinhos vivem em espaços não muito maior do que uma piscina, tratadas com cloro que pode causar irritações na pele e nos olhos. Além de muitas vezes eles sofrerem queimaduras solares por não conseguirem escapar para o fundo do oceano.

Reflexos psicológicos e físicos: Os golfinhos são capturados por barcos de alta velocidade, muitos morrem durante o transporte de tão grande que é o estresse. Já no cativeiro, muitos deles sofrem de ataques cardíacos e úlceras gástricas por causa do estresse que sofrem.

 

7 – Macacos dançarinos

 

Macacos dançarinos fazem são uma das atrações com animais silvestres
Foto retirada do site da World Animal Protection.

 

Treinamento: Macacos jovens são treinados de forma agressiva e dolorosa para aprenderem a executar truques para os turistas.

Cativeiro: Os macacos costumam ser mantidos acorrentados em pequenas jaulas ou ao ar livre com correntes curtas.

Reflexos psicológicos: Assim como os demais animais, os macacos sujeitos a essas práticas também sofrem de estresse.

 

8 – Passeio em plantações de café Civeta

 

Civela que defecam a semente do café civeta
Foto retirada do site da World Animal Protection.

As civetas adoram comer as sementes de café e o café Kopi Luwak é produzido com os grãos contidos dentro das sementes que as civetas excretam.

Cativeiro: As civetas são mantidas em gaiolas pequenas e lotadas por agricultores em uma tentativa de produzir mais café. Fazendo elas comerem mais do que o necessário de sementes de café. Resultando em doenças e má nutrição.

Entretenimento: Existem plantações de café civela que os turistas visitam para provar o café e vê-las no cativeiro.

Reflexos psicológicos: Muitas mostras sinais de grande tensão, como andar de um lado para o outro de maneira compulsiva e auto-mutilação.

 

9 – Encantar serpentes e beijar cobras

 

Cobras e serpentes são usadas em atrações com animais silvestres
Foto retirada do site da World Animal Protection.

 

Captura: As cobras são capturadas e debilitadas com um alicate de metal e seus dutos de veneno são bloqueados ou removidos. Quando o equipamento não é higienizado elas acabam pegando fortes e dolorosas infecções, podendo até matá-las.

Entretenimento: Elas são usadas para apresentações e atualmente até beijadas pelos turistas.

 

 

10 – Fazendas de crocodilos

 

Crocodilo mantido em poço
Foto retirada da internet.

Entretenimento: Os turistas visitam as fazendas de crocodilos para vê-los e comê-los nos restaurantes locais.

Cativeiro: Os crocodilos geralmente são mantidos em poços de concreto, muitas vezes superlotados e sem higiene.

Reflexos psicológicos e físicos: Crocodilos são muito sensíveis ao estresse, o que muitas vezes acaba levando a septicemia (doença infecciosa característica de crocodilos). Se o estresse continua, eles podem não ser capazes de combater a infecção e acabam morrendo. Eles acabam morrendo também em brigas entre eles.

 

Combate as atrações com animais silvestres

 

Esses são apenas 10 exemplos de 24 tipos diferentes de atrações com animais silvestres ao redor do mundo. Ou seja, o problema está muito longe de acabar. Mas a melhor forma que temos de lutar para o fim desses maus tratos é não participar desse tipo de atração.

É importante lembrar que, nem todas atrações com animais silvestres são negativas. Existem muitas instituições que mantém animais fora do habitat natural por necessidade de preservação da espécie ou até mesmo para preservar a vida dos que foram resgatados e não conseguiriam mais voltar a natureza e sobreviver.

Quer saber mais como se tornar um turista amigo dos animais? Veja esse guia rápido da Word Animal Protection

“O menino que sofre e se indigne diante dos maus tratos infligidos aos animais, será bom e generoso com os homens.” 

Benjamin Franklin

LEIA TAMBÉM O NOSSO MANIFESTO A FAVOR DO TURISMO SUSTENTÁVEL

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5 comentários em “Atrações com animais silvestres: descubra o que está por trás”

  1. Pingback: Parque das Aves em Foz do Iguaçu: porque vale a pena visitar

  2. Excelente post! Essa discussão é muito interessante, atual e válida! Eu mesma já visitei atrações com animais, e hoje evito esse tipo de turismo, por ter acordado para essa realidade (especialmente os males trazidos pelo tráfico e maus tratos). Que cada vez mais isso possa ser discutido, e que as pessoas se conscientizem que ‘não vale tudo pela diversão ou pelo turismo’.

  3. Pingback: Parque das Aves: uma iniciativa para preservação em Foz do Iguaçu

  4. Excelente post, Luiza. Uma das bandeiras que eu sempre levantei no meu blog é justamente contra o turismo de exploração animal. Dói quando eu vejo algum amigo ou conhecido fazendo isso por total desconhecimento do assunto.

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